quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Lorica, Município de Loriga, Vila Industrial... Vila de Loriga!

Fontes:
http://wikilusa.com/wiki/Loriga
http://aeiou.expresso.pt/conheca-famosos-que-vieram-do-portugal-profundo=f437948


Fundada originalmente no alto de uma colina entre ribeiras onde hoje existe o centro histórico da vila. O local foi escolhido há mais de dois mil anos devido à facilidade de defesa (uma colina entre ribeiras), à abundância de água e de pastos, bem como ao facto de a as terras mais baixas providenciarem alguma caça e condições mínimas para a prática da agricultura. Desta forma estavam garantidas as condições mínimas de sobrevivência para uma população e povoação com alguma importância. O nome veio da localização estratégica da povoação, do seu protagonismo e dos seus habitantes nos montes Hermínios (actual Serra da Estrela) na resistência lusitana, o que levou os romanos a porem-lhe o nome de Lorica, designação geral para couraça guerreira romana. É um facto que os romanos lhe deram o nome de Lorica, e deste nome derivou Loriga (designação iniciada pelos Visigodos) e que tem o mesmo significado. Situada na parte Sudoeste da Serra da Estrela, a sua beleza paisagística é o principal atractivo de referência. Os socalcos e sua complexa rede de irrigação são um dos grandes ex-libris de Loriga, uma obra gigantesca construída pelos loriguenses ao longo de muitas centenas de anos e que transformou um vale belo mas rochoso num vale fértil. É uma obra que ainda hoje marca a paisagem do belíssimo Vale de Loriga, fazendo parte do património histórico da vila e é demonstrativa do génio dos seus habitantes. Em termos de património histórico, destacam-se também a ponte e a estrada romanas (século I a.c.), uma sepultura antropomórfica (século VI a.c.), a Igreja Matriz (século XII, reconstruída), o Pelourinho (século XIII,reconstruído), o Bairro de São Ginês (São Gens) com origem anterior à chegada dos romanos e a Rua de Viriato. A Rua da Oliveira, pela sua peculiaridade, situada na área mais antiga do centro histórico da vila, recorda algumas das características urbanas da época medieval. A estrada romana e uma das duas pontes (a outra ruiu no século XVI após uma grande cheia na Ribeira de S. Bento), com as quais os romanos ligaram Lorica, na Lusitânia, ao restante império, merecem destaque. O Bairro de São Ginês é um ex-libris de Loriga e nele destaca-se a capela de Nossa Senhora do Carmo, construída no local de uma antiga ermida visigótica precisamente dedicada àquele santo. Quando os romanos chegaram, a povoação estava dividida em dois núcleos. O maior, mais antigo e principal, situava-se na área onde hoje existem a Igreja Matriz e parte da Rua de Viriato e estava fortificado com muralhas e paliçada. No local do actual Bairro de S.Ginês existiam já algumas habitações encostadas ao promontório rochoso, em cima do qual os Visigodos construíram mais tarde uma ermida dedicada àquele santo. Loriga era uma paróquia pertencente à Vigararia do Padroado Real e a Igreja Matriz foi mandada construir em 1233 pelo rei D. Sancho II. Esta igreja, cujo orago era já o de Santa Maria Maior e que se mantém, foi construída no local de outro antigo e pequeno templo, do qual foi aproveitada uma pedra com inscrições visigóticas, que está colocada na porta lateral virada para o adro. De estilo românico, com três naves, e traça exterior lembrando a Sé Velha de Coimbra, esta igreja foi destruída pelo sismo de 1755, dela restando apenas partes das paredes laterais. O sismo de 1755 provocou enormes estragos na vila, tendo arruinado também a residência paroquial e aberto algumas fendas nas robustas e espessas paredes do edifício da Câmara Municipal construído no século XIII. Um emissário do Marquês de Pombal esteve em Loriga a avaliar os estragos mas, ao contrário do que aconteceu com a Covilhã (outra localidade serrana muito afectada), não chegou do governo de Lisboa qualquer auxílio. Loriga é uma vila industrial (têxtil) desde a segunda metade do século XIX. Chegou a ser uma das localidades mais industrializadas da Beira Interior, e a actual sede de concelho só conseguiu suplantá-la quase em meados do século XX. Tempos houve em que só a Covilhã ultrapassava Loriga no número de empresas. Nomes de empresas, tais como: Regato, Redondinha, Fonte dos Amores, Tapadas, Fândega, Leitão & Irmãos, Augusto Luis Mendes, Lamas, Nunes Brito, Moura Cabral, Lorimalhas, etc, fazem parte da rica história industrial desta vila. A principal e maior avenida de Loriga tem o nome de Augusto Luís Mendes, o mais destacado dos antigos industriais loriguenses. Apesar dos maus acessos, que se resumiam à velhinha estrada romana de Loriga, com dois mil anos, o facto é que os loriguenses transformaram Loriga numa vila industrial. Loriga tinha a categoria de sede de concelho desde o século XII, tendo recebido forais em 1136 (João Rhânia, senhorio das Terras de Loriga durante cerca de duas décadas, no reinado de D.Afonso Henriques), 1249 (D.Afonso III), 1474 (D.Afonso V) e 1514 (D.Manuel I). Apoiou os Absolutistas contra os Liberais na guerra civil portuguesa. Deixou de ser sede de concelho em 1855 após a aplicação do plano de ordenação territorial levada a cabo durante o século XIX, curiosamente o mesmo plano que deu origem aos Distritos. Porém, partir da segunda metade do século XIX, como já foi mencionado, tornou-se um dos principais pólos industriais da Beira Alta, com a implantação da indústria dos lanifícios, que entrou em declínio durante durante a última década do século passado o que está a levar à desertificação da Vila, facto que afecta de maneira geral as regiões interiores de Portugal. Actualmente a economia loriguense basea-se nas indústrias metalúrgica e de panificação, no comércio, restauração, alguma agricultura e pastorícia. A área onde existem as actuais freguesias de Alvoco da Serra, Cabeça, Sazes da Beira, Teixiera, Valezim, Vide, e as mais de trinta povoações anexas, pertenceu ao Município Loriguense. A área que englobava o extinto município loriguense, constitui também a Associação de Freguesias da Serra da Estrela, com sede em Loriga. Loriga e a sua região possuem enormes potencialidades turísticas e as únicas pistas e estância de esqui existentes em Portugal estão localizadas na área da freguesia da vila de Loriga.

Memória e Curiosidade:
Banhos na ribeira
Joaquim Pina Moura
Joaquim Pina Moura tinha 10 anos à data desta fotografia. Numa rocha em Ribeira de Loriga, é o mais alto, em pé, na fila de trás
Ir aos fins-de-semana passear de carro até ao Mondego era luxo que poucos meninos da província podiam gozar. Joaquim pôde. O pai tinha o seu próprio automóvel. Oriundo de uma família burguesa de Loriga (à época uma aldeia), "o pequeno Joaquim nunca soube o que era trabalhar".
A sua tarefa era estudar. Desde muito cedo se habituou a correr pelas fábricas de lanifícios, as grandes empregadoras de Loriga de que os seus avós, de ambos os lados, eram sócios. Na década de 20 tinham ganho dinheiro em Manaus, no Brasil, para potenciar esta indústria na terra. Lá viveu dois anos com direito a queda aparatosa que lhe deixaria na face uma marca que o obriga, até hoje, a repetir a história: num baldio, frente à casa, caiu direitinho em cima de uma garrafa partida. A mãe, professora primária, muda-se para casa alugada numa aldeia ainda menor, o Carvalhal.
Benvinda toma conta dos dois irmãos até aos quatro anos, data em que rumam ao Porto. Pelas suas ideias políticas, o pai, veterinário na autarquia de Seia, é demitido. Mas encontra trabalho na Invicta. "Dizem os anais que não me adaptei à vida na cidade, sentia uma nostalgia por um meio mais pequeno." Joaquim volta à província sem os pais. No Pereiro, uma tia zela por ele em casa e na escola, onde era professora. Hoje recorda a música e o movimento na festa das "papas", os banhos em Ribeira de Loriga, as rezas diárias e as férias grandes com primos e amigos. Volta anualmente a Loriga no primeiro dia de Agosto, para levar o pai à festa de Nossa Senhora da Guia. Embora orgulhoso das suas raízes, sente-se, sobretudo, urbano.
Hoje em dia é Presidente da Iberdrola.

Nota do Pinhas: Voltaremos a falar do Pereiro, onde o tema é logicamente os LANIFÍCIOS.


2 comentários:

Jorge Correia disse...

Jorge Correia,natural da Covilhã e,residente em Castanheira de Pera.
Estou aposentado da profissão de Debuxador,tendo sido diplomado na Escola Industrial e Comercial Campos Melo,no curso diurno.
Para que conste para a historia nacional dos lanificios,aconselho a visitarem tambem Castanheira de Pera,a fim de fazerem fotos das fabricas fechadas e,que eram algumas mais.jorge216@sapo.pt

Pinhas disse...

Este documentário não é sobre a história nacional dos lanifícios, mas sobre a história dos lanifícios na Serra da Estrela. E posso dizer-lhe que, ainda não estamos a meio das filmagens e já temos muita matéria.
Agradecemos a sua visita... continue a passar pelo nosso espaço!